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Ópera para Sempre

08/01/2005 17:27

ERUDITO

Renomada intérprete de Mozart e Strauss lança livro em que narra sua trajetória e a superação do medo do palco

Renée Fleming escreve biografia de sua voz
MARIE-AUDE ROUX DO "MONDE"

Aos 45 anos, no auge da carreira, a cantora norte-americana Renée
Fleming acaba de publicar um livro de memórias, "The Inner Voice" (A Voz Interior). Mais que a história de sua vida, a cantora traça uma biografia de sua voz.
Renomada intérprete do trabalho de Mozart e Strauss, se destaca
igualmente nas óperas barrocas como as de Handel, um dos pontos altos de seu repertório, como prova a antologia de árias recentemente lançada pela gravadora Decca e seu recente trabalho no papel-título de "Rodelinda", em produção do Metropolitan Opera House, em Nova York.

Pergunta - O que a levou a escrever essa autobiografia?
Renée Fleming - A idéia não partiu de mim, mas de meus agentes e da editora Viking. No começo achava que não teria o que dizer, não saberia como escrever, mas comecei a relembrar meus anos de estudo na Juilliard School, em Nova York, a avidez quase obsessiva com que buscava um livro que pudesse me orientar em meu trabalho. Eu devorava autobiografias de cantoras para descobrir formas de melhorar o meu canto. Escutava centenas de gravações de arquivo, assistia a inúmeros vídeos e tentava compreender o que as grandes cantoras faziam com seus corpos, com a boca, de que forma respiravam. Estudava a postura delas. Lia tudo que conseguia encontrar sobre técnica de canto,incluindo os aspectos psicológicos, que muitas vezes são causa de grande dificuldade.
Por todas essas razões, me convenci de que minha história talvez
pudesse ajudar cantoras jovens. O que eu não previa era que o livro
também serviria para ajudar a mim. A escrita agiu como uma espécie de terapia. Isso me permitiu encarar uma série de coisas e, finalmente,amadurecer.

Pergunta - Foi muito difícil adquirir os belos agudos pelos quais é conhecida hoje?
Fleming - Com certeza existem predisposições -a voz natural, a forma do rosto; precisei trabalhar com enorme afinco. É difícil de explicar, mas uma nota é boa quando nós nos sentimos livres e relaxados ao emiti-la, quando a ressonância parece bem colocada e a sonoridade central é fácil de distinguir. Os agudos, em seu conjunto, são mais difíceis que as notas graves. Foi improvisando em noitadas de jazz, quando eu estudava em Potsdam, na antiga Alemanha Oriental,que tentei atingir, sem refletir, as notas mais agudas que já alcancei.

Pergunta - E a senhora teve também que superar um caso sério de medo do palco.
Fleming - Eu sou uma pessoa privilegiada, mas nada que consegui foi fácil. Durante muito tempo, fui vítima de um medo de palco terrível,que me deixava em estado próximo à catatonia e me provocava náusea.
Fazia parte da categoria dos "evanescentes". Durante muito tempo eu
precisava, antes de entrar em cena, da presença de pessoas a quem eu pudesse comunicar meu pânico, a fim de conseguir escapar dele. Com o passar dos anos, foi minha irmã Rachelle que assumiu esse papel de portadora de minha angústia. A dança, o teatro, o jazz, me ajudaram a existir em cena, a estabelecer contato com o público. Eu era muito tímida.

Pergunta - Além dos problemas vocais, a senhora fala também do poder da música e da voz trabalhada em um mundo em que a ópera não é uma arte popular.
Fleming - É verdade que sempre estou trabalhando, porque os cantores clássicos receberam apelos para as grandes noites de celebração ou comemoração. Alguns meses depois do 11 de Setembro, participei de uma cerimônia no local do ataque, em Nova York. Cantei "Amazing Grace" diante de 9.000 pessoas. Nas semanas anteriores, eu me preparara para não me deixar surpreender pela emoção. Mas, quando chegou o dia, tive de levantar os olhos para não ver os rostos. Tenho ainda a sensação de que passou pela minha voz a emoção coletiva de uma alma comum, em luto. Creio que, além da música, que nos enraíza a todos em solo comum, há uma autoridade inerente em uma voz "qualificada". Cantamos sem microfone, com o corpo todo, e transmitimos uma força natural que
vem do mais profundo de nosso ser. Nesses momentos, creio que porto
algo que é maior do que eu.

Pergunta - A senhora canta desde criança. Também compõe?
Fleming - Foi escrevendo música que comecei a compreender
interpretação, a saber onde estava. No colégio, eu escrevia poemas e canções. "Stargazer", minha primeira composição, se tornou sucesso na família e na localidade. No meu segundo ano de universidade, compus peças para piano e violão. Minha heroína era Joni Mitchell, que eu escutava sem parar. Foi praticando a composição, mesmo que de maneira modesta, que comecei a me interessar por toda espécie de música, especialmente a música contemporânea.

THE INNER VOICE. Biografia da soprano lírica. Autora: Renné Fleming.
Editora: Viking. Quanto: US$ 14,97. Onde encontrar: www.amazon.com.
HANDEL. Disco. Artistas: Renée Fleming, Harry Bicket, Orchestra of
the Age of Enlightenment e George Friedrich Handel. Lançamento:
Decca. Quanto: US$ 13,49. Onde encontrar: www.amazon.com

Tradução Paulo Migliacci
enviada por Lilith Storm



26/12/2004 16:31
Ainda estou chocada com a morte do soprano Renata Tebaldi,...
enviada por Lilith Storm



25/11/2004 23:48

Amahl e os visitantes da noite em cartaz até o Natal no Rio

A famosa ópera de Gian Carlo Menotti, raramente encenada no Brasil, antecipa as comemorações do Natal. Regência de Henrique Morelenbaum, direção de cena de Pedro Paulo Rangel e Ruth Staerke no papel principal


Agência Carta Maior


Antecipando as comemorações de Natal, estreou nesta quarta-feira, 24 de novembro, no Teatro II do CCBB, a ópera de Gian Carlo Menotti Amahl e os visitantes da noite. A ópera retrata o encontro dos três Reis Magos com o menino Amahl durante a viagem para Belém. Ópera contemporânea raramente encenada no Brasil, Amahl fica em cartaz até o dia 19 de dezembro, apresentando um total de 20 récitas.
Pedro Paulo Rangel assume a direção cênica da ópera e Henrique Morenlenbaum a regência, com orquestra de 21 músicos. A soprano Ruth Staerke interpreta o papel da mãe de Amahl, enquanto o barítono Eduardo Amir será o Rei Mago Melchior.

Para os papéis dos Reis Magos Gaspar e Balthazar e do pajem foi realizada audição com o objetivo de trazer à cena valores novos, um compromisso do CCBB em revelar talentos ainda desconhecidos. Assim, foram selecionados o tenor Marcelo Sader, o baixo Jorge Costa, e o jovem barítono Wladimir Pinheiro, aluno da Escola de Música Villa-Lobos.

A ópera será cantada em português, o que vai facilitar a compreensão do público, em especial das crianças, que devem se sentir particularmente atraídas pela personagem de Amahl, interpretada pelos meninos Douglas Pacheco, Luan Góes e Henrique Tinoco que se revezam no papel.

Escrita em 1951, Amahl e os visitantes da noite é um caso raro de ópera criada especialmente por encomenda para a tevê. Seu sucesso foi tamanho que durante um longo tempo permaneceu como um clássico dos programas de Natal das redes americanas de televisão. Em 1971, no Teatro Municipal de Niterói, Amahl foi realizada com regência do mesmo Henrique Morelenbaum com direção cênica de Gianni Ratto.

Amahl e os visitantes da noite

Em um único ato, a ação passa-se numa aldeia, onde se vê uma cabana. Ali, moram uma criança enferma e sonhadora e sua mãe, triste e desesperançada pela pobreza que os aflige. Numa noite estrelada, batem à porta três reis magos e um pajem, em busca de hospedagem. Os viajantes são acolhidos. Sabedores da visita, os moradores da aldeia chegam para cantar e festejar os visitantes.

As jóias que os reis carregam despertam na mãe um sentimento de revolta. Ela canta a injustiça que representa toda aquela riqueza, que eles dizem destinada a uma criança desconhecida, enquanto seu filho morre de fome.

Mais tarde, quando todos dormem, ela é flagrada tentando se apossar de uma das jóias. O pajem salta em cima dela e o menino toma a defesa da mãe. Os reis enternecem-se e entregam-lhe o ouro, explicando que a criança a quem procuram não tem nenhum bem. Amahl então oferece sua bengala. Os reis rendem graças a Deus e faz-se o milagre: Amahl é curado. Feliz, Amahl pede à mãe que o deixe acompanhar os reis. Ele também quer percorrer o caminho que o levará ao Menino-Jesus.

Serviço:

CCBB Rio - Teatro II
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro – RJ
até 19 de dezembro, num total de 20 récitas
de quarta a domingo - sempre às 18h30.


enviada por Lilith Storm



15/11/2004 23:09

Para quem vai conferir q ópera Lohengrin, em SP



Sob a espada de Lohengrin

Por Helga Monteiro


Inspirada num poema anônimo medieval, a Ópera Lohengrin traz ao palco do Theatro Municipal de São Paulo, a partir do dia 19, um dos mais expressivos títulos do compositor alemão Richard Wagner; que revolucionou o gênero operístico colocando a música a serviço do drama.
No libreto escrito pelo próprio Wagner, Lohengrin é um dos defensores do Santo Graal, que surge puxado por um cisne para defender a honra da jovem Elsa, por quem se apaixona. Com base em personagens retirados da mitologia germânica medieval, o maestro constrói sua forte e clara dramaturgia.
A encenação de Lohengrin traz à tona três conceitos fundamentais: o
amor incondicional, o poder como expressão da maldade e a crença na
justiça divina.
O entendimento desses pilares baseou todo o trabalho realizado pelo
experiente diretor e cenógrafo Cléber Papa. Sua leitura fundiu o
tradicional com um toque contemporâneo. Procurei não engessar a montagem a um modelo puramente medieval. Utilizo elementos modernos,como o efeito do gelo seco e recursos de iluminação computadorizados,explica o encenador, que já produziu 28 óperas em
dez anos de carreira.
De tradicional, há o respeito à estrutura funcional da Ópera, como a posição da janela de Elsa, sempre à esquerda da platéia, e as
referências visuais à Idade Média, explicitada na arquitetura da
igreja.
O cenário é fiel ao libreto. Toda a encenação se desenvolve em torno de uma caixa em que seu próprio alinhamento simboliza o equilíbrio da linha narrativa. Como sempre ocorre nas montagens de Papa, há um elemento a mais em cena. O público reconhece, do lado esquerdo do palco, um objeto simbólico que permeia toda a encenação: a reluzente espada de Lohengrin, uma referência direta à sua invencibilidade.
A montagem conta ainda com 184 figurinos, que, apesar de respeitarem o período medieval da narrativa, apresentam cortes modernos. A concepção das vestimentas é pontilhada pela riqueza de detalhes. Os figurinos foram criados de desenhos feitos a quatro mãos, com o figurinista Howard Loyd e o diretor cênico. Alguns peças tiveram oito versões até chegar ao resultado final. Nas cores e texturas, a intenção de aproximar grupos de personagens com posturas semelhantes.O figurino é uma escultura viva. As paletas de cores escolhidas dão identidade a eles e criam as semelhanças percebidas, por exemplo, nos tons de vermelho expressos em veludos pesados do figurino do casal de vilões, Ortrud e Telramud, explica o figurinista.

Exigências da partitura

A criatividade de Papa e a sensibilidade do maestro Ira Levin
regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal promovem o
casamento perfeito entre a música e a encenação propostas por Wagner.
Levin considera a montagem uma das mais belas e exigentes.É a
grande Ópera Coral de todos os tempos. Exige dos cantores e solistas,além de precisão técnica, inteligência e habilidade de
interpretação&, afirma. O baixo-barítono Lício Bruno, que personifica o conde Telramund, é da mesma opinião. “Cantar Wagner é sempre um desafio. Meu personagem apresenta uma tecitura vocal aguda, ao mesmo tempo em que requer um matiz escuro no timbre. Soma-se a isso a complexa escrita musical do compositor e a própria dificuldade na construção psicológica dos personagens, explica o cantor.
As cenas escritas por Wagner também conferem ao Coral Lírico uma
exigência vocal impressionante. Homens e mulheres do coro ensaiam em separado suas participações na ópera, caracterizadas pelos grupos de saxões, brabantes, nobres e população comum. A precisão inclui dois coros masculinos distintos, com a formação de tenores, barítonos e baixos, cuidadosamente preparados pelo maestro Mário Valério Zaccaro;regente titular do Coral Lírico. De acordo com Zaccaro, em Lohengrin a maior dificuldade é a transformação da língua alemã em canto.Há uma exigência maior na junção das notas quando se trata do alemão,explica o maestro, com a experiência de quem já regeu outro título wagneriano;O Navio Fantasma.
A epopéia grandiosa de Lohengrin quebrou alguns protocolos
estruturais da ópera tradicional, contribuindo para o enriquecimento desse gênero artístico.A Ópera é a obra de arte total, que não morre jamais, porque nos permite discutir o pensamento humano. Ao nosso favor estão a história da humanidade e os erros e acertos dos profissionais que realizaram trabalhos de qualidade, sintetiza Papa.
No mundo da música erudita Corpo estável do Theatro Municipal de São Paulo desde 1939, o Coral Lírico conta hoje com um efetivo de 97 cantores. O alto grau técnico dos integrantes e o resultado sonoro da equipe são heranças deixadas por maestros mundialmente consagrados, como Tullio Serafim, Olivero Fabritis, Eleazar de Carvalho, Armando Belardi, Francisco Mignone e Heitor Villa-Lobos.
Há dez anos seu regente titular é o maestro Mário Valério Zaccaro,
assistido pelo maestro Jaime Cabral Guimarães. Entre os compromissos do Coral Lírico estão as temporadas sinfônicas da cidade e a participação em projetos como o Theatro Municipal Visita que leva a teatros e CEUs montagens que contam com parte de seu efetivo; e os Concertos Didáticos, com ensaios abertos a estudantes de escolas municipais. Um desses ensaios ocorrerá no próximo dia 10, a partir das 11h30, com uma preparação musical para a montagem Lohengrin.

Serviço
Ópera Lohengrin, de Richard Wagner
Participação da Orquestra Sinfônica Municipal e do Coral Lírico
Dias 19, 21, 24, 26 e 28
Horário: às 19h30 nos dias 19 e 26, e às 17h nos dias 21, 24 e 28
Local: Theatro Municipal de São Paulo
Ingresso: de R$ 30 a R$ 100

Lohengrin Didático
Ensaio aberto da Orquestra Sinfônica Municipal e do Coral Lírico
Dia 10, às 11h30
Local: Theatro Municipal de São Paulo
Grátis


Lohengrin, ato por ato

O prodigioso maestro Richard Wagner (1813-1883) não pôde comparecer à estréia de Lohengrin em Weimar, em 1850, por questões políticas. Seu envolvimento na fracassada revolução alemã de 1848 custou-lhe o exílio. Coube a Franz Listz, maestro titular do Teatro da Corte Ducal, a regência da obra wagneriana mais lírica, que punha em cheque o poder frente ao amor e a carne frente ao espírito. O libreto acompanha toda a reflexão filosófica contida na força dramática dos personagens, provindos da mitologia germânica medieval.

Ato I- O conde Friedrich von Telramund acusa Elsa, filha do falecido duque de Brabante, de ter matado o irmão Gottfried, para assumir o trono. Tendo de explicar-se ao rei Henrique, a moça evoca um cavaleiro que viu em sonho para defendê-la. Os arautos anunciam a chegada do guerreiro enviado pelos céus, que surge num barco puxado por um cisne. Em sua armadura de prata, o homem misterioso afirma aceitar o duelo com Telramund em defesa de Elsa, com a condição de que a moça nunca o pergunte sobre seu nome ou sua origem. Em troca, Elsa promete ser sua mulher. O cavaleiro vence seu opositor, mas poupa-lhe a vida.

Ato II- Telramund acusa a feiticeira Ortrud, sua mulher, de não o
ter auxiliado no duelo com o cavaleiro misterioso. Indignada, Ortrud afirma que só a quebra da promessa de Elsa ao cavaleiro fará com que o mesmo se torne vulnerável a seus feitiços. Em conversa com Elsa,Ortrud se utiliza de magia e da força venenosa de suas palavras para plantar na jovem a semente da dúvida em relação à identidade de seu futuro marido. A cerimônia de casamento, marcada pela.Marcha Nupcial, é interrompida por Telramund e Ortrud, que exigem que o nome e a origem do cavaleiro sejam enfim revelados.

Ato III-Na câmara nupcial, Elsa questiona o cavaleiro sobre sua
identidade, rompendo seu voto. Telramund invade o recinto com o
intuito de assassinar o guerreiro, mas este o mata. Levado ao rei, o guerreiro revela sua identidade. Seu nome é Lohengrin, e é um dos
cavaleiros defensores do Santo Graal, habitante das terras distantes que sediam o santuário de Montsalvat. Lohengrin revela ainda que sua invencibilidade só lhe é garantida com a condição do anonimato. O cisne reaparece para que o cavaleiro retorne. Uma pomba sobrevoa o barco e, neste momento, o cisne se transforma em Gottfried, que fora enfeitiçado por Ortrud. Lohengrin então desaparece.

enviada por Lilith Storm



07/11/2004 22:07

Sei q a proposta deste blog é a ópera, mas tb curto muito New Age, em especial as músicas da Enya.Agora a pouco achei a tradução de uma música dela q amo, e quero colocar aqui p/ vcs tb.
Only Time
Somente o Tempo

Quem pode dizer para onde a estrada vai,
Para onde o dia flui?
Somente o tempo...
E quem pode dizer se o seu amor se desenvolverá
Da forma como seu coração escolheu?
Somente o tempo...
(cantos)
Quem pode dizer por quê seu coração suspira
Conforme seu amor vai embora rapidamente?
Somente o tempo...
E quem pode dizer por quê seu coração chora
Quando seu amor morre?
Somente o tempo...
(cantos)
Quem pode dizer quando as estradas se encontram?
Aquele amor talvez esteja
Em seu coração...
E quem pode dizer quando o dia adormece,
Se a noite possui todo o seu coração?
A noite possui todo o seu coração...
(cantos prolongados)
Quem pode dizer se o seu amor se desenvolverá
Da forma como seu coração escolheu?
Somente o tempo...
E quem pode dizer para onde a estrada vai,
Para onde o dia flui?
Somente o tempo...
Quem sabe?
Somente o tempo...
Quem sabe?
Somente o tempo...


enviada por Lilith Storm



28/10/2004 12:11
Foi um dos cantores preferidos da Metropolitan Opera durante 30
anos. E adorava basebol.

O barítono Robert Merrill - durante 30 anos um dos cantores
preferidos da Metropolitan Opera - morreu sábado (mas só ontem foi
anunciado), aparentemente de causas naturais, enquanto assistia pela televisão ao primeiro jogo das "World Series" de basebol. Merrill, escreve o "The New York Times", possuía uma voz poderosa e
interpretava de uma forma vigorosa. Tinha 87 anos.

Robert Merrill cantou alguns dos principais papéis do
reportório "standard", incluindo o papel principal na
ópera "Rigoletto", Germont na "La Traviata", Figaro no "Barbeiro de
Sevilha", Escamillo em "Carmen" e Tonio em "Pagliacci". Recordado
como um dos melhores barítonos de Verdi da sua geração, tornou-se
conhecido pela segurança e força da sua voz.

Estreou-se na Metropolitan Opera interpretando Germont, a 15 de
Dezembro de 1945, e celebrou a 500ª actuação a 5 de Março de 1973.
Manteve-se no "Met" até 1976. Foi aqui que preferiu desenvolver a sua carreira, na qual "cantou todos os grandes papéis de barítono dos reportórios italiano e francês", escreveu Peter G. Davis no "The New Grove Dictionary of American Music".

Durante os primeiros 15 anos no "Met", Merrill teve uma importância
secundária em relação a Leonard Warren, que se encontrava no pico da sua carreira e era o barítono de eleição para os melhores papéis nas óperas de Verdi. No entanto, Merrill rapidamente encontrou um espaço nos papéis que não eram adequados para Warren, como Figaro no "Barbeiro de Sevilha", por exemplo.

"Após a trágica morte em palco de Warren, na Metropolitan em 1960,
Merrill tornou-se indiscutivelmente no principal barítono dos Estados Unidos e talvez no melhor cantor lírico desde Giuseppe de Luca",escreveu o crítico J. B. Steane no seu livro "The Grand
Tradition". "O repertório e interpretações [de Merrill] são tão
importantes como a voz. Os seus discos não são rotulados como
individuais ao ponto de ficarem na memória do ouvinte; são,
simplesmente, o trabalho de um cantor de ópera muito bom e fonte de
um prazer auditivo", diz Steane.

Mas Merrill era mais que um cantor de ópera. A sua carreira estendeu-se à rádio, à televisão e aos filmes, e cantou ocasionalmente em "nightclubs" de Las Vegas. Chegou também a cantar o hino dos Estados Unidos no Yankee Stadium e durante muitos anos a sua voz (gravada) abriu os jogos dos Yankees - era um fã de basebol.

"É estranho, mas tenho a sensação que estou só a começar, e que sou
só um principiante. Nunca pensei que o 'Met' estivesse garantido.
Sempre que lá entrava, tinha esta maravilhosa sensação - que é que um miúdo de Brooklyn está aqui a fazer?", afirmou Merrill durante uma entrevista para o "The New York Times" a pretexto da 500ª actuação na Metropolitan Opera."

artigo retirado de "Público"
enviada por Lilith Storm



04/10/2004 08:25

Kiri te Kanawa

Com as novas medidas anti-terroristas adotadas pelo
Conselho Nacional de Segurança,o governo federal
americano agora requer visto de entrada para os
cidadãos de 27 paises que antes usufruiam de uma
dispensão de visto para entrada em solo americano.

As novas medidas afetaram até a Kiri Te Kanawa, que
regressou a San Francisco hoje à noite para um recital,
acompanhada do pianista Warren Jones. Do palco, a
soprano disse que iria demorar bastante até que pudesse
retomar outra tournée americana, pois ela sendo Nova
Zelandesa, foi muito difícil acertar toda a papelada
na embaixada americana em Londres.

Disse ela: "não se faz uma Dama da Ordem do Imperio
Britânico esperar numa fila por três horas, mas foi
exatamente isso que fizeram comigo, para obter o meu
visto americano." Depois, ao pousar em solo americano,
entre várias conexões e escalas Kiri ainda revistada
oito vezes, e tiraram sua impressão digital tres vezes."

"Eles pediram o dedo indicador, mais lhes dei a
impressão daquele outro dedo," disse a Dama. O
público aplaudiu, simpatizando-se com o predicamento
da diva. Mas o aborrecimento e trauma foi tanto,
que a leide desculpou-se aos seus fãs, e afirmou que
não faria outra turne Norte Americana por um bom tempo.

De qualquer forma, pessoalmente acho que a Kiri não
deve mesmo fazer outra turnê em tal escala, dada a
condição de desreparo técnico em sua voz. A dama está
com 60 anos de idade, e por vezes a que sobra da voz
é um mero vestígio do instrumento glorioso que brilhou
nos palcos na década de 80. Qualquer projeto que ela
tome agora a essa altura do campeonato deve ser
cuidadosamente comedido e calculado.

Oferecendo arias de Handel, canções de Richard Strauss,
Fauré, Poulenc, seleções de "Les nuits d'ete" de Berlioz
e outros, por momentos se ouvia tudo aquilo que a
distinguiram como cantora lírica, mas seus defeitos
mais irritantes parecem ter intensificado com o avanço
da idade: a falta de intonação precisa, aquela pulsação
destorcida no tom, e uma nasalisação excessiva em certas
passagens.

As árias de Handel sofreram de muitos problemas
técnicos na execução. Na grande aria de Cleopatra
"Piangero la sorte mia," (de Giulio Cesare) seus
maneirismos exagerados de fraseio chegaram a ser
irritantes, e a articulação da coloratura na
deslumbrante parte central da aria ("Ma poi morta...")
foi praticamente inexistente. "Bel piacere" (de
Agrippina) e "Care Selve" (de Atalanta) foram
apenas um pouco melhores.

Tinha grandes esperanças para as canções de "Les nuits
d'ete," mas os problemas de intonação afetaram muito
a leitura. Em "Le spectre de la rose," a exclamações
extasiadas e climáticas sairam secas e sem vida.

A Kiri só me agradou mesmo com as seleções no finalzinho
do recital, com duas miniaturas de Wolf-Ferrari,
"Rispetto" nos. I e III; e duas canções de Puccini
que desconhecia, "Morire" e "Sole e amore," empregando
algumas melodias mais conhecidos por versões que
aparecem em La Boheme.

Detestaria terminar esta crítica cinicamente com um
"já vai tarde" a uma artista querida que proporcionou
tantas noites emocionantes a ópera em San Francisco no
passado recente. [Sua deslumbrante condessa em "Capriccio"
de Strauss, na década de 90 -- uma das produções mais
belas que já vi; sua Pamina, sua Condessa em Bodas de
Fígaro, Donna Elvira em Don Giovanni, Fiordiligi em Cosi
fan Tutte, sua consagradíssima leitura das Quatro Ultimas
Canções de Strauss que nos ofereceu em concerto, etc.]
Mas o que ouvi esta noite me pareceu típico de uma
cantora que ou está dificuldades saindo do palco
dignamente, ou não está sabendo escolher o repertório
certo para sua voz no presente estado.
enviada por Lilith Storm



26/09/2004 16:16

MUSICA: LA BRASILEÑA LIGIA AMADIO DIRIGIRA UNA OPERA DEL COMPOSITOR ITALIANO
Por los caminos de Nino Rota

"I due timidi" es una ópera de cámara que dura tan sólo 50 minutos. Mañana sube en el escenario del Teatro Colón.

Sandra de la Fuente. ESPECIAL PARA CLARIN

I due timidi, la ópera de cámara de Nino Rota que mañana subirá al escenario del Teatro Colón, contará con la dirección musical de la paulista Ligia Amadio. Esta pequeña ópera, de sólo 50 minutos de duración, compuesta en los años 50, nunca fue estrenada en América del Sur.

Ligia Amadio dirigió varias veces la Filarmónica de Buenos Aires y es directora de la Orquesta Sinfónica de la Universidad Nacional de Cuyo. Esta ópera marca su debut con la Estable del Teatro Colón. "Me alegra formar parte del proyecto de ópera de cámara, que a mi entender es uno de los más interesantes que tiene el Teatro Colón", puntualiza entusiasmada. "Utiliza todos los recursos del teatro. Pone en un plano destacado a la gente que trabaja aquí y que a veces no tiene oportunidad de mostrar todo su brillo. Además, posibilita llevar la ópera a las ciudades del interior del país. Son piezas muy portátiles, con orquesta chica y prácticamente sin coro".



¿Cómo te recibió la orquesta?

El primer momento de exposición ante una orquesta es siempre un poco estresante, nunca se sabe qué puede suceder. Pero me recibieron con tanta simpatía y con tanto respeto que el nerviosismo se disolvió rápidamente.



¿La obra tiene alguna particularidad que obligue a orientar de un modo especial la dirección?

La obra es muy delicada. Tiene muchos solos de maderas: oboe, flauta, clarinete y fagot tiene partes solistas sabrosísimas, que hay que cuidar especialmente. Hay que trabajar cada detalle con especial cuidado.



¿Qué conocimientos tenés de la cuestión vocal como para dirigir a los cantantes?

Trabajé muchos años como directora de coros. Yo misma fui cantante. Cuando estudiaba ingeniería cantaba en el Coro de la Universidad y de allí surgió mi deseo de estudiar dirección. Como tocaba el piano desde muy pequeña, empecé a ayudar a los directores y me convertí en preparadora de los cantantes.

No hay muchas mujeres directoras de orquestas. ¿Cómo fue tu ingreso en ese mundo?

Muchas veces dirigí en forma gratuita. Tal vez, el momento de pagar el derecho de piso fue algo más extenso del que le toca a los hombres, pero he tenido gratificaciones enormes. Por ejemplo, cuando la Sinfónica Nacional de Rio echó a su director me votó a mí —que había sido su asistente durante mucho tiempo— como directora. Ese es mi orgullo: siempre entré en las orquestas por decisión de los músicos y no por la voluntad de los políticos. Odio el mundo de la política. Estoy destinada a que me llamen por mis criterios artísticos. No hay otra transacción posible.

enviada por Lilith Storm






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